lunes, 18 de octubre de 2010

O Labirinto do Fauno

O Labirinto do Fauno filme de Guillermo Del Toro de 2006 enfoca o embate entre a força militar e a guerrilha no ano de 1944. A película se desenvolve em duas frentes. A primeira é a história de Ofélia garota de dez anos que com sua mãe (Carmem) grávida, se dirige ao encontro do seu padrasto, o Capitão Vidal, na localidade onde o militar está servindo. A narrativa paralela enfoca as etapas que, cumpridas pela garotinha possibilitará o encontro dela, com seu verdadeiro eu. Logo no início do filme o cinéfilo é informado da história de uma princesa, não humana, que ao fugir do seu reino se esqueceu da sua verdadeira essência. Ofélia é essa princesa.

Fica patente que o fascismo não é gratuito, as pessoas que tomam esse posicionamento são já no seu interior, seres intolerantes, arbitrários, nefastos, intrinsecamente maus. O Capitão Vidal deixa isso patente. A pobreza, a supressão de direitos, a violência da guerra, a brutalidade do capitão até com aqueles lhe são próximos contextualiza o ambiente posterior à guerra civil espanhola bem como explica porque a garotinha já órfã de pai, busca nos contos de fada uma via alternativa para seus males.

O encontro de Ofélia com o fauno no labirinto existente na propriedade realiza a catarse almejada pela garota, pois nesse plano ela é sujeito, tem voz, pode agir decidir. Figura de homem com chifres e pernas de bode, o fauno é uma persona ambígua que ao longo do filme conduz Ofélia com dureza para que, no exato desempenho das três tarefas especificadas a garota possa retornar ao seu reino. Para mim o fauno é a verdadeira metáfora do General Franco que através do golpe de Estado tomou o poder na Espanha governando-a até 1976 com autoritarismo, porém antes de morrer possibilitou a restauração do Estado de direito e a posse do Rei Juan Carlos.

O filme aborda a questão tão familiar dos governos de exceção e da reação dos pobres contra a supressão da liberdade. Por outro lado, o realismo fantástico, o escapismo do conto de fada seduz e conquista. As soluções e explicações encontradas no filme são familiares para os leitores de Alice no País das Maravilhas, Harry Potter e As Crônicas de Nárnia, mas essa constatação não diminui o prazer da história, antes introduz um elemento que permite aceitar a dura realidade da guerra.

O desfecho da história permite a vitória dos mocinhos e o encontro de Ofélia, já como princesa, com a sua família. È um bom filme, uma boa história e uma ótima oportunidade para reflexão. O protagonismo feminino definido nas figuras de Ofélia, Mercedes (a governanta do capitão e também agente da guerrilha infiltrado) e até mesmo Carmem mãe que diante da falta de oportunidades procurou no casamento uma forma de proteger sua família. A reafirmação das palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus” (Mt 19, 13-15).

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