O filme abre com uma pequena narração sobre uma princesa que abandonou seu reino subterrâneo para conhecer a realidade humana e as conseqüências de seu ato. Depois disso conhecemos Ofelia , uma menina de 10 anos fascinada por livros de contos e fábulas com fadas. Ela está viajando junto com a sua mãe Carmen para o campo, onde vai encontrar seu padrasto, Vidal . Ele é o capitão das forças fascistas do general Franco, que governa a Espanha em favor dos ricos e poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Logo de cara percebemos que Vidal é um homem extremamente sádico e que maltrata Ofelia.
Aos redor de sua nova casa, a menina encontra um labirinto que leva a uma trilha subterrânea. Lá ela conhece o Fauno , que a convence de que ela é a princesa perdida do reino subterrâneo e que precisa realizar três tarefas para retornar para seu reino. Ao mesmo tempo em que Ofelia embarca nessa viagem repleta de fantasia, Vidal não poupa esforços e sadismo para exterminar os rebeldes que ameaçam o governo.
Esse universo onírico e gótico é a espinha dorsal do filme. Del Toro não delimita o que é fantasia ou realidade. Ele aponta caminhos e deixa que o público embarque na viagem de sua preferência. Mesmo na conclusão, Del Toro contrasta os dois mundos. O espectador tem a possibilidade de escolher baseado em suas crenças pessoais. Quem não acredita em fadas, lendas e mitologia não se sentirá enganado. Otimistas que ainda vêem esperança no mundo caótico em que vivemos ficarão satisfeitos. E essa dualidade fica evidente na personalidade de Ofelia. Ela mostra que talvez a melhor maneira de escapar da realidade seja criando um mundo de fantasia.
Fica evidente a diferença entre o mundo de Ofelia e o de Vidal. Ela acredita em sonhos e fantasia, sentimentos e características vitais para o desenvolvimento do ser humano. Vidal é um produto de mundo rígido e fascista. Sua ideologia é baseada na violência. Del Toro aproveita para analisar psicologicamente como homens dessa natureza são resultado de uma relação agressiva e abusiva dos seus pais.
Outro fato a destacar é que, além da Guerra Civil propriamente dita, ao mesmo tempo, começou uma Revolução Social, com grupos de esquerda apropriando-se e coletivizando propriedades e terras nas áreas que dominavam. Há a questão levantada no próprio filme por um dos personagens que, primeiro era preciso ganhar a guerra, depois construir uma nova ordem. . Entre 1936 e 1939 houve na Espanha uma Guerra Civil. De um lado estavam os Nacionalistas, um dos nomes pelos quais ficaram conhecidos os partidários de Francisco Franco, que defendiam o retorno da Monarquia, além de terem uma visão conservadora de como a Espanha deveria caminhar. De outro lado estavam os Governistas, que ficaram mais conhecidos por Rojos (vermelhos), por serem em sua maioria de tendências comunista, anarquista, socialista, além de defensores da República, que desejavam mudanças radicais na velha ordem que imperava. No final Franco e seus partidários ganharam a guerra, com uma ajuda da Alemanha Nazista e da Itália Fascista. Na Guerra ainda havia alguma esperança de mudança, depois… para a grande maioria dos espanhóis, só houve fome, miséria absoluta e uma total falta de perspectiva de futuro.
No entanto, alguns resistentes ainda tentaram derrubar Franco ou ao menos enfraquecer seu poder. A resistência republicana abrigava-se nos matorrales (áreas de vegetação arbustiva e densa), espalhados por diversas regiões do país, mas isolados devido à geografia. E neste contexto, do combate à resistência e controle totalitarista franquista começa a parte real do filme O Labirinto do Fauno.
Dalva Sacramento
miércoles, 20 de octubre de 2010
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