jueves, 12 de agosto de 2010

VOCES INOCENTES (Vozes Inocentes)

VOCES INOCENTE


Filme escrito por Luís Mandoki e Oscar Orlando Torres, baseado em fatos reais, sobre o período da guerra civil em El Salvador, ocorrida no período de 1980 a 1992; o conflito aconteceu entre os camponeses pobres e o governo salvadorenho, motivado pela incompreensão das elites governamentais quanto à reforma agrária, tentando reprimir o conflito, o governo acionou o exército fortemente armado e com o aval dos Estados Unidos para lutar contra a guerrilha de resistência, a FMLN, formada pelos camponeses e estudantes. Esta guerra civil deixou o triste saldo de 80.000 mortos e 8.000 desaparecidos.
As batalhas mais acirradas acontecem no povoado de Cuscatazingo, região paupérrima, onde vive Chava e sua família.
A família de Chava é composta por Kella, sua mãe, que foi abandonada pelo marido, mas mesmo assim, não deixou a peteca cair, ela é uma mulher forte, determinada, batalhadora, honesta, amorosa, uma leoa, Rosita, a irmã “peidona” e o pequeno Antônio. Chava é um garoto encantador, generoso, solidário, torna-se o “homem da casa”, aos 11 anos, após a fuga do pai, mas essa imensa responsabilidade parece não abalar o garoto.
Mesmo com o clima nebuloso, Chava consegue seguir a vida como uma criança feliz, tem muitos amigos, brinca, estuda, sonha e trabalha como ajudante de um motorista de ônibus, para ajudar a mãe com as despesas da casa.
O exército salvadorenho utilizava um esquema perverso para engrossar suas fileiras, consistia em arrancar das salas de aulas e das casas das famílias indefesas, os garotos que atingiam 12 anos de idade, para transforma-los em pequenos soldados.
À medida que os meses passavam, crescia a preocupação de Kella e Chava, já que quando completasse 12 anos, o exército fatalmente o levaria para engaja-lo as suas fileiras. O tio Beto, irmão de Kella era um dos chefes da resistência e queria levar o garoto com ele, mas a mãe não permitiu. Usando sua esperteza, Chava e seus amigos conseguem escapar do exército por duas vezes, se escondendo nos telhados das casas; sabendo que para eles, ingresso no exército era questão de tempo, ele e seus três amigos decidiram se juntar aos guerrilheiros, porém foram seguidos, capturados e feitos reféns.
Na minha visão de espectadora comum, o filme teve muitas cenas fortes, mas, as que mexeram com a minha emoção foi quando Cava constatou que sua namoradinha Cristina Maria morreu em sua casa após um combate entre as partes: quando os soldados executaram dois dos amigos de Chava, a sangue frio e pelas costas, o reencontro de Chava com a mãe nos escombros da casa deles que foi queimada.
Chava nos leva a refletir como um garoto de 11 anos, convivendo numa situação limite consegue viver a fantasia da liberdade e felicidade, ouvindo a música “Casas de Cartón” no pequeno rádio que seu tio lhe deu de presente.
Kella decide mandar Chava para os Estados Unidos, para que ele possa fugir daquele inferno e possa ter um futuro melhor, depois de anos ele retorna a El Salvador e reencontra toda a sua família viva.
A guerra civil de El Salvador terminou em 1992, mas deixou um exemplo negativo, que ainda está sendo posto em prática em diversos países, como Sri Lanka, Afeganistão, Birmânia, Israel, República Democrática do Congo, Somália, Sudão, Chade Peru, Brasil, Colômbia e outros, já que muitas crianças ainda são utilizadas como soldados nas guerrilhas, no terrorismo (crianças bombas), guerras, gangues e no narcotráfico, infelizmente.

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