viernes, 14 de mayo de 2010

A respeito do Filme CELDA 211

Gosto de filmes que abordem fatos reais, chamam-me mais a atenção. Quando soube que o filme estava assim estruturado, confesso que fiquei mais receptiva às informações.

Detalhe a parte, a crudeza (se é que existe esta palavra!) da primeira cena, foi um bom "pedala, Robinho!" e minha zona de conforto acima relatada, ficou um tanto "mexida". Percebi que não se tratava dos relatos globais do Viver a Vida.

Parabenizo ao Jéferson, pela escolha do filme. Corajoso de sua parte, numa plena terça-feira pela manhã, nos apresentar um filme com a carga densa que teve. Nós, que somos uma equipe tão diversa. Parabéns, você fez uma escolha feliz!

O filme relata alguns mundos:

- O mundo de um casal feliz, amoroso, sensual, cheio de esperanças para um futuro de um@ filh@. Mundo de um rapaz honesto, íntegro, inteligente que crê na área que escolheu como profissão e assim, resolveu se anteceder ao dia de início de trabalho e foi fazer um reconhecimento de área. O típico profissional que se dedica a uma área e está ávido para por em prática as teorias a que teve acesso em seu processo de formação. Mundo de uma moça carinhosa, meiga, fêmea que age com intuição e com o coração, fazendo assim as suas escolhas e arcando com as consequências das mesmas.

- Mundo de profissionais já habituados ao dia a dia de trabalho. O ser assim, sempre foi assim e sempre será assim, já é meio que uma certeza na cabeça destes. Porque seria diferente? Policiais que fazem o papel de apresentar o novo colega à nova realidade que ele está prestes a iniciar, mas, em caso de "farinha pouca, o meu pirão primeiro!". Entre encarar a situação e procurar agir conforme estabelece os procedimentos naturais de cada instituição (ajudar ao colega da forma mais segura que a situação o permita) e a oportunidade de salvar a própria pele, estes optaram pela segunda. O ambiente é corrompido e é corruptível mais ainda. É todo um sistema organizacional, que cá prá nós, em toda instituição existe! Cabe a cada um de nós, quando em situações de "sinuca de bico", decidirmos entre o que reza a nossa consciência e o que prevê os paradigmas inerentes ao nosso trabalho. Sabemos, que nem sempre, temos o privilégio de agirmos conforme nossa consciência. Voltando ao filme, exemplo similar é o do negociador do governo, dos coadjuvantes que fazem contato com os internos do presídio e o do chefe do presídio, outro personagem que representa a realidade de um sistema. Pessoas comuns, com seus limites e com sua apatia para com uma estrutura em que, sozinhos, não têm como mudar.

- Mundo de pessoas alijadas do convívio social, alijadas de relações de amor, carinho, compreensão, afeto e que criam o seu modo de contrapor a realidade de todo um sistema. O FIES existe (pelo menos até quando o episódio ocorreu), é fato. Pessoas viciadas, enfermas, psicologicamente abaladas, em meio ao caos, sentem a necessidade de ter um líder e dentre este universo, um sente a necessidade de ser líder. Como não é o único a sentir esta necessidade, faz uso dos meios que conhece para impor o seu poder: a força, o medo e a coação. Contudo, há um fio enovelante que a todos rodeia: estamos juntos! e se assim o é, assim será! O outro que também almeja a liderança, age de igual maneira usando os meios que conhece para assim se dar bem: tráfego de informações e influências, força, corrupção, anti-ética, etc.

Neste cenário de mundos distintos, há o Juan Oliver que tem que ser louvado pela sua capacidade de perceber o perigo iminente e agir de forma sagaz e inteligente. Tudo ia muito bem, até enquanto o seu racional superava ao seu emocional. Mas o que acontece quando nos tiram o chão? Onde fica nossa racionalidade? Vai embora porta afora e o emocional nos transforma num tsunami de emoções. Na situação em que ele se encontrou, todas as formas de agir são possíveis, inclusive a que ele optou! A essência de vida, de sobrevivência, de garra que este demonstra em tão pouco tempo, convence a até aos mais incrédulos, como o Malamadre. Juan Oliver aprende na prática o que é "estamos juntos ou não?" e o Malamadre capta isso de forma intuitiva e busca agir com a sua coerência.

Muito bom o filme. Analisar os personagens e a história de cada um, fazendo um reflexo para o nosso dia a dia, nos coloca a pensar e a analisar até onde vão os nossos limites de sobrevivência? Há certo ou errado em situações extremas? É um questionamento que deixo aqui para todos!

Silvana

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