O filme Celda 211 de Daniel Monzón conta a história de um homem que no seu primeiro dia de trabalho, como guarda penitenciário, se vê dentro de um motim na prisão. O detalhe é que em função de um imprevisto , Juan Oliver, o funcionário está numa cela, então para tirar o melhor partido da situação ele se traveste e passa por um detento. Essa opção no fim , em função do desenrolar da história torna-se uma realidade.
Baseada em fato verídico a película tem como base a obra homônima de Francisco Pérez Gandul. A primeira vistaparece ser mais um filme sangrento, violento por natureza e banal, considerando a superlotação dos presídios e as péssimas condições de vida dos encarcerados.
O filme no entanto, trata da vida, tantas vezes barateada, não vivida. Questiona o lugar comum de que os encacerados não têm solução, é escória, fizeram o mal e por isso merecem não apenas a perda da liberdade, mas também, sofrer toda sorte de indigmidades. Arbitrriedades e práticas que objetivam e terminam por lograr êxito no sentido de quebrar o espírito humano e reduzir pessoas aos mais baixos instintos. As cenas são fortes, a começar pelo suicídio do início, incrivelmente minimalista na sua perpretação.
A revolta aborda a questão dos Ficheiros Intrnos de Especial Seguimento, os FIES, uma sistemática que se caracteiza por uma prisão dentro da prisão. De certo modoo FIES encontra-se disseminado na sociedadecontemporãne, mas é herdeiro dos países-prsão como o foi Austrália, Guiana Francesae tantas outras localidades. A novidade é a tecnologia. Ao mesmo tempo em que o sentenciado é isolado de sua região ele é vigiado intensa e literalment eatravés de câmeras que monitoram sua acomodação ao regime.
Parece-me que as reinvindicações dos presos do filme se coadunam com àquelas presentes no manifesto da Coordinadora de Presos Españoles en Lucha - COPEL que desde 1976 trabalha pela abolição do FIES, para acabar com a dispersão dos reclusos bem como pela liberação imediata de detentos que são doentes trminais. Interessante constatar que também no brasil, já existe sementes dessa prática, no isolamento dos chefes do tráfico de drogas do PCC em prisões de segurança máxima, pensads como inexpugnáveis.
Vigiar e punir não são a solução para a endemia que assola nossa sociedade recheada de bons propósitos, de direitos humanos e constitucionais, mas embricada com o consumo, com a posse de poucos sobre bens que poderiam ser mais bem distribuídos. As grades das cadeias se reproduzemnas residências, pois estamos também em nós, isolados nas prisões concêntricas da dubiedade. Um exemplo disso é mostrado no filme. O preso comum, assassino, traficante, estrupador e tratado muito mais duramente do que o seu similar que realiza todas essas nefastas ações por motivos políticos, é o caso dos terroristas do ETA que militam pela causa do País Basco, região que intenta se separar do Estado español.
O filme merece ser visto como ecidenciam os prêmios recebidos em diversas categorias. A direção é segura, a realidade é mostrda, porém não há o recurso de cenas abusivas em repetição. O elenco/personagens se constitui numa grata surpresa. Emocionamo-nos com o engenho e a perspicácia de Juan Oliver (Alberto Ammann). O personagem se modifica, endurece, radicaliza, mas toca o coração de quem assiste. As cenas, em flash back, de um homem feliz, esperançoso, apaixonado mostra como poderia ser o destino de cada um.
Dois outros personagens merecem ser olhados com mais vagar: Tachuela (Vicente Romero) pela sua fidelidade ao lider Malamadre (Luis Tosa) que encabeça o motim. Acrdito que em todas as situações, organizaçãoes e ao longo da história são produzidas pessoas assim, essenciais, titãnicas que conseguem convencer,,mobolizar e fazer a luta acontecer. Pesoas que se contrapõeme combatem, mesmo sem perceber à viliania e á tibieza.
Talvez o desconforto que essa temática de filme provoca esteja ligado ao sentimento de desesperança e fatalidade que contextualiza as prisões. È um ambiente onde a luz não é bem vinda, onde as oportunidades foram perdidas e onde por vezes que deveria zelar pelo bem está comprometido com o mal. Celda 211 de algum modo quebra esse maléfico moto continuo.
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