Eu simplesmente amei o filme! Histórias românticas são minhas prediletas, seguidas pelas policiais e de quebra a mesma tem humor. A parte dramática, como diria os espanhóis, no me gusta, porém é essa que conduz a trama. O filme de Juan José Campanella aborda um caso de estupro seguido de morte. Em torno desse homicídio qualificado de uma jovem de vinte e três anos em sua própria casa, decorre a trama da película. Essa é a parte dramática. O romance fica por conta do amor entre Benjamin Espósito (Ricardo Darin) que exerce a função de técnico judiciário e Irene Menendez Hastings (Soledad Villamil) juíza recém empossada no Ministério onde o homicídio está sendo investigado.
O humor é transmitido por Pablo Sandoval (Guillermo Francela), colega de Espósito do Ministério, um alcoólatra assumido que diverte e dá a cor local de ambientes onde a dor e as misérias são tantas que passam a ser encaradas sob um novo olhar para que possam ser suportadas. O olhar é o demiurgo da história. Errático, prenhe de sentidos, obsessivo, apaixonado, tímido, conformado, distante são muitos os olhares flagrados e dirigidos pela câmera de Campanella. O olhar indica quem é o autor do crime, mas, de maneira especial, o olhar apaixonado, do amor nunca declarado, do beijo não cometido, do futuro não sonhado é que são aludidos pelo título do filme no meu entendimento.
Nesse sentido são emblemáticas as perguntas feitas por Espósito: ¿Como se hace para vivir uma vida vazia? ¿Como se hace para vivir una vida llena de “nada”? O filme é existencial em muitos momentos e leva a pensar sobre a paixão e sobre o amor. A paixão é fogosa, violenta, obsessiva, voraz. A paixão por uma pessoa, a paixão pelo que é certo, a paixão que lança as raízes para o amor. No filme existe a paixão das pessoas com desvios de caráter, mas, também a daquelas que acreditam na justiça como a juíza Irene, daquelas que por causa do amor se transformam e procuram a verdade como Espósito e por fim a paixão que toma a justiça com as próprias mãos como Morales o viúvo vivido por Pablo Rago. O personagem de Rago é contido, tenso e intenso como as notas de um violino. O amor sentido por esse homem prescinde das palavras.
O filme se desenvolve em um intervalo de vinte e cinco anos. A maquiagem é competente para transmitir o envelhecimento mantendo, no entanto, a dignidade dos personagens. Outro ponto técnico é a fotografia em tom sépia. Denota o suspense da trama, os sentimentos não verbalizados, certa melancolia, os dramas. Para o espectador esse é mais um elemento que dialoga e transmite mensagens subliminares do contexto do filme. De maneira mais explícita e pulsante o enquadramento do estádio de futebol durante o jogo do “Racing” é outra prova de fôlego da direção artística da produção.
Acredito que o Oscar de melhor filme estrangeiro foi merecido. Diverte, intriga, instiga, emociona. Traz muito do ser portenho: é dramático, movimentado, elegante como o tango. Não posso ser barrista nessa questão: nenhuma película brasileira submetida ao crivo de Hollywood chegou aos pés desse “O segredo dos seus olhos”. No enfoque da violência que de tão repetitiva banaliza a dor, a produção alerta para a inversão de valores e para a fragilidade da justiça frente aos desmandos políticos e a falta de ética. Não há a repetição do mesmo que choca e por fim entedia, imobiliza.
O filme relata o crescimento que deve haver nas pessoas para que a existência tenha sentido e o futuro seja ele qual for possa valer a pena. Vida longa a Campanella! Vida longa a Jérfesson que agregou e oportunizou ao longo do curso um cadinho de informações e percepções sob a batuta do ensino da língua espanhola.
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