lunes, 6 de diciembre de 2010

O Segredo dos seus Olhos

Em uma das cenas do filme O Segredo dos Seus Olhos o personagem Benjamín Espósito (Ricardo Darín) está olhando álbuns de fotografias de uma bela mulher em seus momentos felizes no casamento e em outras situações alegres da vida em família. Benjamín está investigando o brutal assassinato desta mesma mulher e procura encontrar respostas para desvendar o crime e encontrar o culpado por tal monstruosidade. Quem lhe mostra estes álbuns fotográficos é o viúvo inconsolado que vai citando, uma por uma, as pessoas presentes nas tais fotografias. Desta forma Espósito vai conhecendo um pouco melhor o passado e as pessoas que compartilharam com esta mulher os seus momentos mais íntimos. Ao examiná-las dá-se conta que, em várias destas fotos, a presença constante de um homem se faz presente. Uma em especial chama sua atenção: O tal homem mira a bela mulher com uma intensidade tão grande no olhar que não resta a menor dúvida da sua paixão e da intensidade de seus desejos. Este “olhar” apaixonado em particular é que dá o tom da narrativa e título ao filme. Desvendar os segredos deste olhar será para Benjamín Espósito o propósito de suas investigações e, acima de tudo, descobrir quem é este homem e seus verdadeiros sentimentos. Mas não é só neste olhar que se escondem segredos. Em outra cena o próprio Bemjamín também aparece em outra foto com o mesmo olhar de paixão platônica em direção a sua colega de trabalho Irene Menéndez Hastings (numa interpretação soberba de Soledad Villamil).
Este é um filme de olhares, de segredos, de amores platônicos e desejos não realizados. Vidas que se cruzam, mas que não produzem afetos mútuos de pessoas que se amam porque não possuem a coragem de declará-los e de vivê-los plenamente. Tudo fica no subconsciente, no desejo contido, no amor inalcançável e, por isso mesmo, inútil e sofrido. Passado e presente de amores impossíveis num círculo que vai e vem, mas que não se concretiza na vida real. Amores perdidos, desejos reprimidos e a felicidade colocada de lado por convenções morais e profissionais. A direção firme e contida de Juan José Campanella dá humanidade a seus personagens onde o maniqueísmo não existe já que não temos aqui os estereótipos de heróis e bandidos, mas pessoas normais com suas qualidades e defeitos. Até mesmo o personagem Pablo Sandoval, interpretado por Guilhermo Francella, um alcoólatra inveterado dá um toque cômico extremamente cativante das nossas deficiências.
Vinte e cinco anos depois deste brutal assassinato, Benjamín resolve escrever um romance sobre esta investigação e procura Irene, que ainda trabalha na procuradoria, para relembrar os fatos e pedir orientação sobre a publicação do livro. Em longos diálogos e lembranças do passado vamos descobrindo toda a trama daquele crime e seus desdobramentos, bem como das escolhas feitas por cada um dos personagens neste longo período de tempo e suas consequências. Muito mais que um simples filme policial ou político, Guilhermo Francella nos brinda com uma grande história humana e de paixão. Nos deixa ainda a esperança de que é preciso acreditar que a felicidade é possível, que amar e ser amado é viável, bastando para isso ter a coragem de assumir e declarar este amor. Dar oportunidade para que este amor floresça e que se perpetue através da convivência no plural.

Dalva Maria Sacramento

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