Particularmente achei o filme ma-ra-vi-lho-so em todos os aspectos: roteiro, fotografia, atuação e enredo... mesclou sem exageros vários gêneros, drama, romance, suspense e comédia, como passos de um tango.O final então, foi absolutamente surpreendente.
Primeiramente gostaria de compartilhar a feliz coincidência (segundo Jérfeson), sobre alguns dos temas abordados em sala, que focaram sob ângulos muito diferentes a essência do olhar: o texto “El leon mata mirando”, depois o filme fantástico “O ensaio sobre a Cegueira” e agora essa película formidável. Foi tão interessante que outros colegas também observaram essa similaridade.
Voltando ao filme, entendi que o título foi um trocadilho intencional, pois na verdade não havia segredos nos olhos dos que viveram aquela história. Através dos olhos ambiciosos de um colega de adolescência (Gómez), foi delatado um criminoso patológico e sem caráter, típico dos psicopatas sexuais. Pelos olhos de um homem comum e inseguro (Espósito), o amor contido de quem não se sentia em relação de igualdade para compartilhá-lo com a mulher amada. Nos olhos daquela mulher (Irene), o calor de uma paixão que esperou 25 anos por uma declaração. No olhar daquele marido inconformado (Morales), todo o ódio de alguém que também esteve numa prisão perpétua psicológica, sendo algoz daquele criminoso. E finalmente, quem não reparou na candura do olhar da linda e leve moça da foto na estante, (Liliana Morales) friamente violentada e assassinada...nesses personagens, os olhos falavam tudo.
A frase que mais me chamou atenção foi à proferida por Pablo Sandoval, ao decifrar a carta do criminoso: "as pessoas são capazes de trocar tudo: mudar de família, de religião, menos uma coisa, a paixão que sentem”. E curiosamente o filme retrata muito sobre paixão. Paixão doentia e invejosa que mata, paixão que sufoca quem não consegue vivê-la, paixão pelo ofício e pela retidão, paixão e fidelidade fraternal e também a paixão distorcida pelo poder.
Finalizo o meu comentário, na última cena do filme, lembrando do olhar de Irene quando Espósito entra na sua sala e ela pede para que ele feche a porta. Que olhar era aquele? Quantas respostas, palavras, sussurros e beijos lascivos continham naquele olhar?

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