martes, 2 de noviembre de 2010

Ofélia e O Labirinto de Fauno

Antes de falar sobre Ofélia, do filme O Labirinto de Fauno, se faz necessário situar no tempo e lugar o ambiente que a cerca. A Espanha ainda na década de 30 do século passado tinha saudade de ter sido grande império. Ela chegou ao século XX ainda sob o comando de um regime monárquico. O general Primo Rivera, em 1923, instalou um governo ditatorial com apoio dos monarquistas e mantinha um excessivo número de generais e oficiais (1 general para cada 100 soldados, o maior percentual do mundo). Esta resistência a modernidade era patrocinada pela Igreja, que ainda carregava em si o obscurantismo e a intolerância dos tribunais inquisitoriais da Idade Média. Ainda assim, os movimentos de esquerda não perderam suas forças e impuseram o fim da ditadura militar em 1930.
Ao longo da década de 1930, a situação política da Espanha ganhou novos contornos com a polarização política instituída por dois novos movimentos: a Falange Tradicionalista Espanhola, defensora de um regime ditatorial no país e formada por classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio); e a Frente Popular de Esquerda, que agrupava líderes socialistas, comunistas e anarquistas.
A Direita espanhola entendia que era preciso uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores tradicionais, autoritárias e católicas da Espanha. Para conseguir tal intento era imprescindível derrotar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia. A tensão política estourou com o início de uma guerra civil, em julho de 1936. Os partidários da Falange logo conseguiram expressivas vitórias, graças à ação do general direitista Francisco Franco.
O triunfo dos falangistas foi garantido pelo massivo apoio militar cedido pelos alemães e italianos. Do outro lado, esquerdistas e democratas tentavam conter o triunfo de Francisco Franco. No ano de 1938, os franquistas já tinham controlado as principais cidades do território espanhol.
É neste contexto que a história se inicia. Ofélia e sua mãe Carmen se mudam para uma casa no meio do bosque, local em que há uma pequena resistência rebelde na qual o segundo marido de Carmen e pai da criança que esta em seu ventre, o Capitão Vidal, é o comandante franquista responsável por exterminá-los. É neste momento do conflito, que Ofélia, mergulhada no interior da floresta, encontra um mundo de fantasia para sobreviver. Neste universo imaginário ela é uma princesa que precisa cumprir algumas tarefas para que o seu Reino seja salvo.
A pequena protagonista caminhará por lugares encantados, mágicos e se defrontará com os altos e baixos de estar viva. Ela parece ignorar a Guerra que a cerca, mas isto ocorre porque a sua identidade ainda está em formação. A jornada de Ofélia no mundo subterrâneo representa uma conformação psicológica em relação ao seu próprio passado; do sentimento de perda do pai e da recusa em aceitar o padastro à procura do seu local no mundo.

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