jueves, 25 de noviembre de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

Seguramente esse foi um dos melhores filmes que assisti e certamente ficará entre os inesquecíveis. O filme é indicado como se fora policial, mas a trama é tão densa que torna difícil a caracterização: se policial, drama, suspense ou romance, podendo ser indicado como qualquer um desses gêneros.
Até este momento não lembro de jamais ter assistido um filme argentino e o Segredo dos Seus Olhos causou-me, positivamente, grande surpresa e o final, apesar de todas as sinalizações sub-reptícias, foi surpreendente e deve ter agradado à grande maioria dos cinéfilos.
A história é baseada no livro “La Pregunta de SUS Ojos” do escritor argentino Eduardo Sacheri, adaptado para o cinema pelo diretor Juan José Campanella. Teve orçamento modesto, mesmo assim foi eleito com “Oscar” de melhor estrangeiro de 2010, tendo sido o filme nacional (dos hermanos) de maior bilheteria e público dos últimos 35 anos na Argentina.
O FILME
O filme retrata a Argentina pré ditatorial (1974) e tem início com um diálogo alegre de dois jovens recém casados; Liliana Colloto (a lindíssima Carla Quevedo) e Ricardo Morales (Pablo Rago). Liliana é estuprada e brutalmente assassinada. Inicialmente o crime é investigado por um policial mau caráter, que para ver-se livre da incumbência, prende dois inocentes, tortura-os e obriga-os a confessar. Descontente com o desfecho, o Defensor Público Benjamin Espósito (Ricardo Darin), resolve investigar; é boicotado e violentado psicologicamente pelo superior hierárquico, o juiz Romano. O caso vira uma obsessão para o policial e interfere na vida de todos os envolvidos. O amor entre Espósito e sua linda chefe, Irene Menéndes (Soledad Villanil), que poderia ser um amor real, torna-se eternamente platônico. O ex-marido de Liliana fica obcecado pela punição do assassino e a sua vida passa a girar única e exclusivamente em função da prisão e condenação do responsável. O filme tem um hiato de 25 anos, quando Espósito, retorna, já aposentado e resolve retomar o caso e solucionar o crime que não conseguira enquanto esteve em atividade.
O final do filme, que aparentemente é inverossímil, deixa de sê-lo se analisarmos alguns diálogos entre o marido da vítima e Espósito, principalmente quando ele (Ricardo) declara-se contra a pena de morte, e diz ser favorável à prisão perpétua, com um argumento lógico “como é viver uma vida vazia? Ou ainda: “Como é viver uma vida cheia de nada?O final encontra sentido, mas deixo de contá-lo porque o filme não foi concluído em sala de aula e revelá-lo seria um contra-senso.
A RAZÃO DO TÍTULO
Se bem analisado o título tem tudo a ver, pois o olhar dos envolvidos diz tudo sobre o filme. O assassino Isidoro Gomes (Javier Godino) somente é descoberto devido ao olhar apaixonado que o investigador identifica nas fotos antigas da vítima. Posteriormente, ao ser preso, o crime somente é desvendado devido ao olhar de Isidoro, para o seio de Irene, cuja a blusa estava entreaberta. Pelo olhar dele, ela o identificA como psicótico e em jogo de sedução às avessas, levou-o à auto denunciar-se. Os olhares dispensados por Espósito à sua chefe, também não passam despercebidos, denotando o grande amor que ele nutria por ela. Além dos olhares,uma frase marcante é a do colega e amigo alcoólatra de Espósito, Pablo Sandoval( Guilhermo Francelle),quando afirma: “ As pessoas são capazes de trocar tudo, mudar de família,religião etc. menos uma coisa, a paixão que nutre” e é essa paixão que o assassino nutria pelo time do coração é quem o leva à prisão.
Concluindo, como o filme retrata um caso real, para entendê-lo melhor, sugiro a todos que o leiam O livro e informe-me onde encontrá-lo e se há tradução.
Edelson de Assis

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