martes, 10 de agosto de 2010

Voces inocentes

Vozes Inocentes


Vozes inocentes é um filme de Luis Mandoki de 2004 que aborda a guerra civil de El Salvador. O roteiro de Oscar Orlando Torres mostra o conflito a partir da perspectiva infantil, posto que o autor é um sobrevivente do conflito. A abordagem é doce, melancólica e dura. Doce porque são as vozes infantis, inocentes que contam da devastação que assolou o país latino americano durante doze anos. Melancólica por causa da chuva que co-estrela a película. Dura, pungente pois, se constata o desperdício de vidas de uma nação. Terrível já que a inocência violentada, a existência perdida deixa cicatrizes difíceis de ser superadas.

A história não se repete dizem os historiadores. Vendo Vozes Inocentes percebemos que ela apenas assume diferentes matizes, roupas, idiomas, gravidade para encenar o mesmo espetáculo de destruição sob destruição na vida de povos que ao longo dos séculos foram e são massa de manobra para os interesses dos países que detêm o poder. São colônias, repúblicas independentes, economias em desenvolvimento tuteladas pelo capital ou pela ideologia de plantão. Assim a guerra civil salvadorenha que tem de um lado o exército nacional (assessorado, instruído e municiado pelos Estados Unidos da América) e de outro os camponeses transformados em guerrilheiros imbuídos da ideologia marxista e apoiados pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas através de Cuba.

O drama é a utilização das crianças na guerra. Os pequenos que no filme como na vida real estão trabalhando para sustentar suas famílias. Famílias que têm como figura de proa as mulheres subempregadas, abandonadas pelos companheiros Todos acossados pela violência e arbitrariedade da guerra. O fogo revela de que metal as crianças e as mulheres são feitos bem como as posições que as crianças são obrigadas a tomar pelos adultos. Pegar em armas, matar os que ainda ontem eram colegas de folguedos e classe.

A guerra civil que durou doze anos (1980-1992) recrutava os meninos a partir dos doze anos e no povoado de Cuscatanzingo vimos o embate entre o exército e a Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional. Farabundo Marti foi um compatriota que nos idos de 1932 se levantou contra as oligarquias agrárias e no confronto civil foi tomado como patrono dando nome a frente revolucionária. O filme é instrutivo pois, fala da realidade latina que muitos brasileiros ignoram. Aponta o dedo para a falta de autonomia, de liberdade, de escolha dos povos desse lado do continente americano. O refrão da música que anima o filme “Que triste, se oye la lluvia / en los techos de carton/ que triste vive mi gente/ en las casas de carton” é emblemática já que são de papelão os direitos desses povos.

Agradeço a escolha pela oportunidade de crescer. O filme é pungente, terno e necessário para fazer pensar e nos tirar da zona de conforto a que somos induzidos.



Vozes Inocentes


Vozes inocentes é um filme de Luis Mandoki de 2004 que aborda a guerra civil de El Salvador. O roteiro de Oscar Orlando Torres mostra o conflito a partir da perspectiva infantil, posto que o autor é um sobrevivente do conflito. A abordagem é doce, melancólica e dura. Doce porque são as vozes infantis, inocentes que contam da devastação que assolou o país latino americano durante doze anos. Melancólica por causa da chuva que co-estrela a película. Dura, pungente pois, se constata o desperdício de vidas de uma nação. Terrível já que a inocência violentada, a existência perdida deixa cicatrizes difíceis de ser superadas.

A história não se repete dizem os historiadores. Vendo Vozes Inocentes percebemos que ela apenas assume diferentes matizes, roupas, idiomas, gravidade para encenar o mesmo espetáculo de destruição sob destruição na vida de povos que ao longo dos séculos foram e são massa de manobra para os interesses dos países que detêm o poder. São colônias, repúblicas independentes, economias em desenvolvimento tuteladas pelo capital ou pela ideologia de plantão. Assim a guerra civil salvadorenha que tem de um lado o exército nacional (assessorado, instruído e municiado pelos Estados Unidos da América) e de outro os camponeses transformados em guerrilheiros imbuídos da ideologia marxista e apoiados pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas através de Cuba.

O drama é a utilização das crianças na guerra. Os pequenos que no filme como na vida real estão trabalhando para sustentar suas famílias. Famílias que têm como figura de proa as mulheres subempregadas, abandonadas pelos companheiros Todos acossados pela violência e arbitrariedade da guerra. O fogo revela de que metal as crianças e as mulheres são feitos bem como as posições que as crianças são obrigadas a tomar pelos adultos. Pegar em armas, matar os que ainda ontem eram colegas de folguedos e classe.

A guerra civil que durou doze anos (1980-1992) recrutava os meninos a partir dos doze anos e no povoado de Cuscatanzingo vimos o embate entre o exército e a Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional. Farabundo Marti foi um compatriota que nos idos de 1932 se levantou contra as oligarquias agrárias e no confronto civil foi tomado como patrono dando nome a frente revolucionária. O filme é instrutivo pois, fala da realidade latina que muitos brasileiros ignoram. Aponta o dedo para a falta de autonomia, de liberdade, de escolha dos povos desse lado do continente americano. O refrão da música que anima o filme “Que triste, se oye la lluvia / en los techos de carton/ que triste vive mi gente/ en las casas de carton” é emblemática já que são de papelão os direitos desses povos.

Agradeço a escolha pela oportunidade de crescer. O filme é pungente, terno e necessário para fazer pensar e nos tirar da zona de conforto a que somos induzidos.



Vozes Inocentes


Vozes inocentes é um filme de Luis Mandoki de 2004 que aborda a guerra civil de El Salvador. O roteiro de Oscar Orlando Torres mostra o conflito a partir da perspectiva infantil, posto que o autor é um sobrevivente do conflito. A abordagem é doce, melancólica e dura. Doce porque são as vozes infantis, inocentes que contam da devastação que assolou o país latino americano durante doze anos. Melancólica por causa da chuva que co-estrela a película. Dura, pungente pois, se constata o desperdício de vidas de uma nação. Terrível já que a inocência violentada, a existência perdida deixa cicatrizes difíceis de ser superadas.

A história não se repete dizem os historiadores. Vendo Vozes Inocentes percebemos que ela apenas assume diferentes matizes, roupas, idiomas, gravidade para encenar o mesmo espetáculo de destruição sob destruição na vida de povos que ao longo dos séculos foram e são massa de manobra para os interesses dos países que detêm o poder. São colônias, repúblicas independentes, economias em desenvolvimento tuteladas pelo capital ou pela ideologia de plantão. Assim a guerra civil salvadorenha que tem de um lado o exército nacional (assessorado, instruído e municiado pelos Estados Unidos da América) e de outro os camponeses transformados em guerrilheiros imbuídos da ideologia marxista e apoiados pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas através de Cuba.

O drama é a utilização das crianças na guerra. Os pequenos que no filme como na vida real estão trabalhando para sustentar suas famílias. Famílias que têm como figura de proa as mulheres subempregadas, abandonadas pelos companheiros Todos acossados pela violência e arbitrariedade da guerra. O fogo revela de que metal as crianças e as mulheres são feitos bem como as posições que as crianças são obrigadas a tomar pelos adultos. Pegar em armas, matar os que ainda ontem eram colegas de folguedos e classe.

A guerra civil que durou doze anos (1980-1992) recrutava os meninos a partir dos doze anos e no povoado de Cuscatanzingo vimos o embate entre o exército e a Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional. Farabundo Marti foi um compatriota que nos idos de 1932 se levantou contra as oligarquias agrárias e no confronto civil foi tomado como patrono dando nome a frente revolucionária. O filme é instrutivo pois, fala da realidade latina que muitos brasileiros ignoram. Aponta o dedo para a falta de autonomia, de liberdade, de escolha dos povos desse lado do continente americano. O refrão da música que anima o filme “Que triste, se oye la lluvia / en los techos de carton/ que triste vive mi gente/ en las casas de carton” é emblemática já que são de papelão os direitos desses povos.

Agradeço a escolha pela oportunidade de crescer. O filme é pungente, terno e necessário para fazer pensar e nos tirar da zona de conforto a que somos induzidos.

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