martes, 10 de agosto de 2010

Sobre Vozes Inocentes.

"Miséria é miséria em qualquer canto. Riquezas são diferenças (...)
Índio, mulato, preto e branco. Miséria é miséria em qualquer canto."

Escolhi um fragmento da música "Miséria" do Titãs para iniciar o meu comentário sobre o filme, pois reflete o cotidiano dos personagens envolvidos... A miséria focada sob a forma mais linear e cruel, miséria que sobrepõe os escassos recursos financeiros, mas que abrange a miserabilidade nas distorções do poder, da ambição, da política e do desejo de dominação territorial, onde seres humanos são meros objetos do sistema, não importa o gênero, raça, idade e obviamente, miséria associada à violência é componente destrutivo de qualquer infância.

A guerra acontece em El Salvador, e foca o alistamento infantil para os combates na América Latina e toda a carga de destruição e tristeza que se abate sobre os meninos e suas famílias quando finalmente completam 12 anos e tem passaporte chancelado diretamente para o inferno, já que tem a sua vida e infância roubadas em prol capitalismo. Desnecessário dizer, que a população daquela favela ele composta basicamente por mulheres, crianças e homens incapazes, já que os aptos ou eram desertores ou estavam na guerra (vivos ou mortos).

O filme é absolutamente fantástico, pois meio às atrocidades que acontecem num período de guerras, o autor não se esqueceu de enfocar a sensibilidade, totalmente paradoxal ao seu enredo, mais com toda pertinência. Vamos por partes: o pequeno CHAVA, garotinho sagaz, generoso, romântico, valente e como qualquer grande herói com enorme instinto protetor. Seu objetivo é evitar ser convocado para o alistamento militar ao completar a idade exigida. Não posso deixar de registrar o quanto fiquei apaixonada por ele, e como prendi a respiração na cena do seu “quase” fuzilamento e ainda em muitos trechos, como “sofri” ao ver aquela mãe, absolutamente batalhadora e carente de tudo, temendo e lutando pela integridade física da sua família, ou ainda a emoção que senti ao ver o nosso herói chorar a morte do seu primeiro grande amor, ou cantando com o tio revolucionário a música “Casas de Carton” para distrair os estouros das balas cruzadas.

E isso... Um filme que vale a pena ser visto, revisto e que nos coloca em posição de total reflexão.

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