Uma parábola na qual vários itens podem ser analisados e possibilitar frutíferas reflexões foi a impressão que me deixou esse texto de Rubem Alves. Sendo, como é, um texto filosófico, o leitor é como que levado a identificar arquétipos de pessoas e situações nos personagens dessa fábula. Acredito que se os animais pudessem pensar e falar entrariam com um processo de perdas e danos contra os humanos.
O leão representa o vilão, o dominador; os animais caçados são as vítimase e a toupeira é guindada ao papel de herói. Analogias com ditadores, regimes de força e a conjuntura do assédio são rapidamente evocadas. Devemos nos esquecer da relatividade pois nesse recorte de Rubem Alves a composição do Jarabe de Palo "Depende" não parece ter lugar.
El león mata mirando. Hipnotizando com o olhar sua presa. Convencendo-a o da sua fraqueza e debilidade através da imagem refletida na íris do próprio leão. O mestre mineiro pontifica que é da debilidade dos fracos que o leão aufere sua força conseguindo dominar e matar.
A toupeira combate o leão. Cego, esse animal não é objeto da mágica leonina e por isso segue lutando, infringindo dor e tirando sangue do leão. Mas o pequeno animal subterrâneo tem um outro diferencial: ele sabe olhar o coração. Nesse ponto, salvo erro de compreenssão, o autor compara o homem a uma toupeira ao dizer: "Y tampoco le tiene miedo al hombre que sabe mirarse al corazón."
Porque a esse que sabe olhar o coração o leão não mete medo. Ele contempla o leão e o vê na sua integridade, apenas um animal que é, como relata o velho Antonio - alter ego do autor - suplantado pela tecnologia e pelo engenho humano. Basta saber olhar ou como defendia Socrates, conhecer-se. Quem se conhece não se deixa dominar, não é levado pelas imagens suplanta o medo e mata o leão.
martes, 1 de junio de 2010
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Merece ainda reflexão as situações em que o homem cego, mas não como a toupeira, opta por coisas e situações que o colocam refém de dominadores, que provocam a morte como drogas, consumo desenfreado, violência, ganancia. Não sei se há um ironia imbutida na escolha do heroi feita por Rubem Alves
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