martes, 16 de marzo de 2010

Nossa interpretação da canção “Soledade”

Soledad de Jorge Drexler trata da solidão. O ritmo, a dolência da música leva a pensar em uma dor de amor, temporária, porém. As credenciais aludidas logo no segundo verso da canção referem-se a dores, situações que ultrapassam o declarado, mas, habilitam para o conhecimento, o diálogo do indivíduo com a solidão. Viver envolve dor é o que o compositor expressa no verso dezesseis.


A escolha da expressão “papel pentagramado” revela o hermetismo do discurso. Fala-se da dor, mas a mesma não é especificada quanto a sua natureza ou origem. Daí a nossa percepção, a partir do cunho místico, misterioso e simbólico da palavra pentagrama, de que a solidão é uma condição da existência naquilo que há de mais essencial no ser humano.

Por fim a estranheza, a surpresa de que seja a solidão a companheira diante da constatação de que nunca se soube como estar só. Essa declaração evoca o contexto contemporâneo, quando a variedade de meios conecta o mundo na aldeia global prevista pelo pensador canadense McLuan. Nessa aldeia que fala, interativa, midiática e intensamente, mas poucas vezes estabelece o diálogo, estar só, se apresenta como oportunidade para o autoconhecimento que nasce do silêncio.

Alda Lima.

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