
Gripe H1N1: esse é o novo nome que elegeu ontem a Organização Mundial as Saúde (OMS) para fazer referência a gripe causada por esse vírus. A OMS rebatiza a doença para evitar a palavra suína e livrar o segmento de carnes de um desmoronamento. Na Espanha, o Ministério da Saúde decidiu na quarta-feira começar a chamá-la de “nova gripe”, seguindo as recomendações da Comissão Européia. “Decidimos chamá-la de nova gripe para conter um efeito negativo sobre nossa indústria”, garantiu na quarta-feira a Comissária do Serviço de Saúde da CE, Androulla Vassilou, relembrando que a carne de porco “é segura quando está cozida”.
A União Européia é o primeiro exportador mundial do setor suíno. A Espanha é o quarto país do mundo em produção de carne de porco, com três milhões de toneladas anuais, somente atrás da China, Estados Unidos e Alemanha, segundo a Associação de Indústria da Carne na Espanha (AICE). Este setor relembra que esta gripe não tem haver com o consumo de carne, como no caso das vacas loucas ou da gripe aviária. A Coordenadora da Organização de Agricultores e Criadores de gado (COAG), aprova a troca do nome. Comunicamos ao Ministério da Agricultura que nos parecia injusta a denominação de “gripe suína”, porque não afeta os porcos”, assegura Miguel Padilha, porta-voz da Coordenadora.
Por agora, nos mercados não parece haver sentido: “A população segue comprando a carne, porém de um dia para o outro...O medo é geral”, contesta uma açougueira em um abatedouro de Madrid.
Na União Européia não há unanimidade sobre o nome da enfermidade. Enquanto a Comissão recomendava a troca, a República Checa, presidia a U.E, convocando ontem os ministros do Serviço de Saúde a uma reunião para tratar “a gripe suína”.
Também na França segue até o momento no Conselho de Bruxelas, e se refere à gripe como “a epidemia de infecções respiratórias graves no México”, como “nova gripe, chamada suína”. México, é o país mais contaminado, mantendo a denominação de “causa suína”.
Os Estados Unidos foi o primeiro a referir-se a doença como “gripe H1N1”, para não transmitir a idéia de que o contágio do vírus é através dos porcos. Sua poderosa indústria das carnes também tem boas razões para isto. Sem impedimento, algum país vem tomando medidas para restringir a entrada de carne do porco. Como realizado na China, Filipinas, Nicarágua e Egito; este último tem iniciado o sacrifício de milhares de animais nas suas granjas. Enquanto, a FAO, menos drasticamente, recomendava ontem, “manter o controle sobre os sítios suínos”.
Apesar disto, rebatizar a gripe não é em vão. O mal das vacas loucas, detectado na Espanha em 1996, fechou o setor com um saldo de 10.000 milhões de pesetas ao mês. Apesar da segurança que os mercados ofereciam, o nome não ajudava.
Não é o primeiro debate que acontece em torno do batismo de um vírus. Um rotavírus, isolado em Madrid (Novo México) recebeu o nome inicial deste local. A má fama em Madrid, fez com que passasse a denominar-se oficialmente “o vírus sem nome”.
Traduzido por: Fátima Pires e Dalva Cruz.
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