martes, 23 de marzo de 2010

A Gripe Suína


Gripe H1N1: esse é o novo nome que elegeu ontem a Organização Mundial as Saúde (OMS) referi-se a gripe causada por esse vírus. A OMS renomeia a doença para evitar a palavra suína e salvar esse setor de carnes de uma falência. Na Espanha, o Ministério da Saúde decidiu na quarta-feira iniciar a denominá-la de “nova gripe”, seguindo as recomendações da Comissão Européia. “Decidimos chamá-la de nova gripe para não detonar um efeito negativo sobre nossa indústria”, assegurou nesta quarta-feira a Comissária de Saúde da CE, Androulla Vassilou, lembrando que a carne de porco “é segura quando está cozida”.

A União Européia é o primeiro exportador mundial do setor suíno. A Espanha é o quarto país do mundo em produção de carne de porco, com três milhões de toneladas anuais, somente atrás da China, Estados Unidos e Alemanha, segundo a Associação de Indústria de Carne na Espanha (AICE). Este setor lembra que esta gripe não tem a ver com o consumo de carne, como no caso das vacas loucas ou da gripe aviária. A Coordenação das Organizações de Agricultores e Pecuaristas (COAG), aplaude a mudança do nome. Informamos ao Ministério da Agricultura que nos parecia injusta a denominação de “gripe suína”, porque não afeta os porcos”, assegura Miguel Padilha, porta-voz da Coordenadora.

Por enquanto, nos mercados parecem que se ressentiram: “As pessoas continuam comprando a carne, porém de um dia para outro... O medo é livre”, afirma uma açougueira num posto de abastecimento de Madrid.

Na União Européia não existe unanimidade sobre o nome da doença. Enquanto a Comissão recomendava a mudança, a República Checa, presidência de turno da U.E, convocava ontem os ministros do Serviço de Saúde para uma reunião a fim de tratar “a gripe suína”.

Também a França não segue até o momento o Conselho de Bruxelas, e se refere à gripe como “a epidemia de infecções respiratórias graves no México”, ou como “nova gripe, chamada suína”. México, é o país mais afetado, mantendo a denominação de “influenza suína”.

Os Estados Unidos foi o primeiro a referir-se a doença como “gripe H1N1”, para não transmitir a noção de que o vírus é contagiado pelos porcos. Sua poderosa indústria das carnes também dar boas razões para tal. No entanto, alguns países já tomaram medidas para limitar a entrada de carne do porco. Já fizeram a China, Filipinas, Nicarágua e Egito; este último já iniciou o sacrifício de milhares de animais nas granjas. Enquanto, a FAO, menos drástica, recomendava ontem, “manter o controle sobre as granjas suínas”.

Apesar disso, renomear a gripe não é de interesse. O mal das vacas loucas, detectado na Espanha em 1996, teve um saldo de perdas no setor de 10.000 milhões de pesetas mensais. Apesar da segurança que se oferecia nos mercados, o nome não ajudava.

Não é o primeiro debate que se produz em torno do batismo de um vírus. Um rotavírus, isolado em Madrid (Novo México) recebeu o nome inicial dessa localidade. A má imprensa de Madrid, fez com que passasse a denominar-se oficialmente “o vírus sem nome”.

Traduzido por Aldaina e Dalva Maria

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